Cuba prepara-se para conversar com EUA, 'mas não sob pressão'

28/12/2009 14:15

Cuba deve se preparar para o caso do governo Barack Obama decidir dialogar, mas "nunca" negociar “sob ameaça" ou "pressão ", disse o chanceler Bruno Rodríguez, nesta quinta-feira (24) para a imprensa de Havana.

"Nunca aceitaremos negociar sob ameaça, coação ou pressão de uma potência estrangeira (...) Não vamos nos render", disse Rodriguez citando a Constituição, em uma cerimônia em que os irmãos Fidel e Raúl Castro receberam medalhas pelo 50 º aniversário Ministério das relações Exteriores.

Rodriguez disse que "a política externa deve se preparar para o caso de Washington decidir dialogar". Ele destacou as realizações da política externa de Cuba: tem relações diplomáticas com 182 países, o apoio quase unânime da votação na ONU contra o bloqueio dos EUA e "confronta as mentiras e as campanhas do Império".

Durante a cerimônia, o chanceler entregou a Raúl Castro a medalha que foi levada o líder revolucionário Fidel Castro, 83 anos, retirado do governo desde que ficou doente em julho de 2006.

"Devemos a Fidel o lugar que Cuba ocupa no mundo", disse o chanceler, depois de elogiar Fidel Castro como "o artífice e condutor da política externa revolucionária", marcada pelo "antiimperialismo, internacionalismo e solidariedade".

Raúl Castro, 78 anos, também foi condecorado e recebeu a homenagem póstuma dada ao comandante da Revolução Juan Almeida, que morreu em setembro passado.

No domingo, em seu discurso ao Parlamento, Raúl Castro acusou Washington de apoiar e instigar os opositores cubanos que o governo considera mercenários dos EUA. Mas reiterou a sua disposição para encetar um "diálogo respeitoso entre iguais, sobre qualquer assunto".

"Se o governo americano realmente deseja avançar nas relações com Cuba, eu recomendo que deixe de lado os condicionantes de ordem interna, que cabe apenas aos cubanos decidir", advertiu.

Washington e Havana, sem relações diplomáticas desde 1961, começaram aproximações logo que Obama chegou ao poder, levantou as restrições às viagens e as remessas à ilha por cubano-estadunidenses, retomaram o diálogo sobre a migração e o intercâmbio postal direto.

No entanto, um novo atrito veio com a prisão na ilha, em 5 de dezembro, de um americano que, de acordo com Raúl Castro foi enviado por Washington para municiar a oposição com sofisticados meios de comunicação.

Fonte: La Jornada (https://www.jornada.unam.mx)

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