80 Tiros

26/04/2019 23:03

80 Tiros

 

 

O Exército Brasileiro escreveu mais uma página de covardia e violência. Um grupo de militares, no bairro de Guadalupe, Rio de Janeiro, dia 07 de abril, disparou 80 tiros contra um carro ocupado por pacatos cidadãos.

 

 

Resultado da ação: O Exército assassinou o músico negro Evaldo Santos, motorista do veículo, e o catador de lixo Luciano Macedo, que tentou ajudar a família que seguia para um chá de bebê.

 

 

O presidente Jair Messias Bolsonaro, o ministro da Justiça Sérgio Fernando Moro e os militares que compõem o governo declararam que não houve assassinato e sim um lamentável incidente ou acidente. O fato vergonhoso é repetido em outras atuações.

 

 

Na Guerra do Paraguai (1864-1870), com o apoio da Inglaterra, o Exército participou da Tríplice Aliança, Argentina, Uruguai e Brasil, que dizimou cerca de 20% da população paraguaia, cerca de 300 mil pessoas morreram. Um confronto militar incentivado pelo Império Britânico.

 

 

Em Canudos (1896-1897), no interior do sertão baiano, o Exército Brasileiro executou quase 20 mil paupérrimos sertanejos. Morreram aproximadamente 5 mil militares. O líder da comunidade de Canudos, Antônio Conselheiro, só foi derrotado na 4ª expedição militar. O conflito foi descrito no clássico livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, como um massacre cruel.

 

 

A Guerra do Contestado (1912-1916), na região entre Paraná e Santa Catarina, foi motivada pela tomada de terras de posseiros e pequenos proprietários. O motivo da desapropriação foi a construção de uma estrada de ferro, entre São Paulo e Rio Grande do Sul, de propriedade do milionário estadunidense Percival Farquhar. No conflito contra o Exército morreram 8 mil pobres camponeses.

 

 

No golpe de 1964, militares derrubaram o legítimo presidente João Belchior Marques Goulart. A seguir, é implantada uma perversa ditadura militar (1964-1985) que durou 21 anos. Nesse longo período pessoas são perseguidas, torturadas, violentadas sexualmente e mortas. A Comissão Nacional da Verdade concluiu que 377 agentes foram responsáveis diretamente pela repressão, 434 pessoas foram mortas e desaparecidas na ditadura, 6591 militares democratas foram perseguidos. Só o Brasil, na América do Sul, não puniu torturadores e bárbaros assassinos desse tempo de trevas.

 

 

Por fim, o Exército substitui as polícias civil e militar invadindo favelas. O inimigo mais uma vez está em casa. A intervenção militar nas cidades grandes virou rotina. E os jovens pobres e negros são as grandes vítimas.

 

 

Mas toda regra tem exceção. Vale citar duas participações honrosas das Forças Armadas do Brasil:

 

A mais importante foi na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), conflito global entre dois blocos (Eixo e Aliados). Os principais países do Eixo eram Alemanha, Itália e Japão e as principais nações dos Aliados União Soviética (URSS), EUA e Reino Unido. O primeiro grupo de bravos militares brasileiros chegou na Itália em 1944. Nosso país enviou cerca de 25 mil homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e 450 homens da Força Aérea Brasileira (FAB). Estima-se que morreram cerca de 50 milhões pessoas na guerra.

 

Outra presença valorosa, revolucionária e patriótica foi na criação da Petrobrás, em 03 de outubro de 1953, a mais bela história de sucesso do Brasil. Liderados pelo general Horta Barbosa o movimento O Petróleo é Nosso saiu vitorioso na luta contra poderosas multinacionais do lucrativo negócio petróleo. Os entreguistas foram derrotados. E assim, nasceu o monopólio estatal do petróleo.

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