O melhor momento do turismo na Ilha

29/04/2017 01:02
A praia Guardalavaca, situada no município de Banes, é uma das maiores atrações em Holguín.

PARA ninguém é um secreto a estas alturas que o principal evento profissional de promoção da indústria cubana do lazer e as viagens, a Feira Internacional do Turismo, que terá lugar de 3 a 6 de maio próximo, em Holguín, chegará no melhor momento que historicamente viveu esse setor, na Ilha maior das Antilhas.

Um crescimento de 17% na chegada de visitantes no decurso do ano 2017, relativamente ao ano 2016, calendário em que se recebeu o maior número de turistas conseguido no país até à data, assim atesta. Como também é demonstrado por 10% de aumento na chegada de espanhóis, a alta de 118 % nas visitas dos estadunidenses ou 14% de incremento no número de pessoas que chegam em cruzeiros.

As próprias autoridades do Ministério do Turismo (Mintur) reconhecem «a alta responsabilidade» que lhes cabe para manter — e inclusive superar— o conseguido, em um ano em que se calcula serão recebidos 4,2 (4.200.000) milhões de viajantes.

Nas palavras de María del Carmen Orellana, diretora-geral de mercadotecnia, do Ministério do Turismo (Mintur), a 37ª edição deste evento, FITCuba 2017, permitirá examinar o futuro das temporadas turísticas e oferecerá atualizada a Pasta de Oportunidades para o Investimento Estrangeiro, em um ramo que gera muitas divisas e que ao longo das duas últimas décadas tem vindo a se consolidar como setor essencialmente dinâmico e segunda fonte de receitas do país, atrás da exportação de serviços profissionais.

«No intuito de melhorar os produtos e serviços turísticos, especialmente para dar resposta rápida aos clientes», explica a funcionária, «FITCuba influirá na qualidade das ofertas, bem como no interesse do empresariado de fora pelos negócios e permitirá mostrar ao mundo que Cuba é mais do que sol e praia, que tem cultura, patrimônio, natureza, história, um povo alegre e um ambiente seguro».

Da mesma forma, este encontro, que pela primeira terá como palco a zona do oriente cubano, receberá linhas aéreas, operadores turísticos, agências de viagens, meios de comunicação, compa-nhias hoteleiras e de serviços conexos, gerenciadores dos transportes, entidades turísticas e empresas de serviços de Cuba e o mundo, após encorajar um significativo processo de empreendimentos na anfitriã província de Holguín, o quarto polo turístico do país.

De acordo com Orellana, aposta-se estrategicamente em gerar mais confiança nos turoperadores e intensificar o traba-lho com as linhas aéreas para aumentar o número de turistas com destino ao arquipélago e procurar ter resultados concretos. «Na medida em que chegue mais uma nova linha aérea, temos um crescimento assegurado», afirma.

A esse respeito, a especialista garante que hoje qualquer visitante vindo da Europa pode se ligar com a zona oriental da Ilha. «Contamos com dez aeroportos internacionais e temos voos diretos à ilhota Cayo Coco e a Santa Clara e Holguín, por exemplo, e alguns da Itália e Canadá para Cayo Largo, mas continuamos insistindo em chegar a outros pontos do país».

Igualmente, Orellana adianta que se esteve preparando a inauguração de uma rota direta Barcelona-Havana, com a linha aérea Plus Ultra, prevista para 1º de julho. Indica que se trata de uma rota que anteriormente não existia e que ajudará muito com os visitantes dessa região, embora já existam voos diários de várias linhas ibéricas, muito bem completados, que normalmente têm como destino a capital cubana e Varadero.

Nesse sentido, a especialista acrescenta que se está tentando encaminhar o mercado espanhol, um dos principais emissores da Europa, para polos como Cayo Santa María e Holguín.

Refere, ademais, a ainda deficiente conexão aérea nacional afetada, sobretudo, pelo déficit de aviões, peças e outros equipamentos, que agrava o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. «Embora haja limites reais com as conexões internas, há já dois meses a Cubana de Aviação alugou um avião de 160 assentos para viajar cedo, diariamente e pontualmente a Havana, Cayo Coco e Holguín. A situação dos voos domésticos é um assunto que estamos atendendo com cuidado», recalca.

Por outro lado, se bem a chegada de cruzeiros a Cuba aumentou, esse é um processo sumamente controlado porque quase todos os que viajam nestes cruzeiros querem visitar Havana e é preciso administrar os fluxos para não superar as cargas reais que pode suportar a cidade. Orellana ratifica: «Estamos optando por dar promoção a outras áreas do país para descongestionar a capital e garantir um desfrute, sem termos pressa e irmos mais além da necessidade que tenhamos deste tipo de turismo».

Além de que a vigência do bloqueio proíbe os cidadãos estadunidenses viajar a Cuba como turistas e os obriga a fazê-lo sob alguma das 12 categorias autorizadas pelo governo de Washington, «o mercado norte-americano é atendido como mais um mercado», destaca a especialista.

De acordo com os dados do Mintur, nos quatro primeiros meses de 2016 visitaram Cuba mais de 94 mil cidadãos estadunidenses e o número total desse ano foi de 284.937, para um crescimento de 74%, comparado com 2015.

Analistas explicam que, caso não existir o bloqueio, poderiam chegar a Cuba de dois a cinco milhões de estadunidenses ao ano, em curto ou médio prazo, respectivamente.

Embora no fechamento do primeiro trimestre de 2017 os Estados Unidos já seja o segundo país que mais viajantes envia à Ilha, atrás do Canadá, o economista José Luis Perelló destaca que o número de visitantes norte-americanos contrasta com a redução de voos e reajustes das operações das linhas aéreas dos Estados Unidos para Cuba, autorizadas para efetuar até 110 frequências diárias, após o restabelecimento dos voos comerciais em 2016.

Em março passado, as linhas aéreas estadunidenses Silver Airways e Frontier suspenderam seus voos a Cuba por causa da saturação na oferta, enquanto outras como a American Airlines, JetBlue e Spirit reduziram suas frequências ou enviam aviões de menor tamanho.

HOLGUÍN: UMA CIDADE REVITALIZADA

A vindoura Feira Internacional do Turismo aceita o desafio de melhorar o saldo obtido em Havana, na feira do ano anterior que, com mais de 5 mil participantes de 59 países, veio a ser a mais concorrida em quase quatro décadas de história.

À espera da visita de autoridades da Alemanha, país convidado de honra e outras grandes personalidades da indústria turística da América Latina e do mundo, esta feira, também dedicada ao produto circuito, uma das modalidades na que mais apostam os próprios germanos, comemorará três datas profissionais no Hotel Playa Pesquero e, por terceiro ano consecutivo, uma Feira de Fornecedores, que se distinguirá pela ampla presença de produtores locais e ajudará a dar mais força e presença à indústria nacional.

Orellana afirma que a Alemanha será o país convidado de honra, pois constitui um dos principais mercados europeus que envia turistas à Ilha. Em 2016 visitaram o arquipélago cubano em torno de 242.000 visitantes da nação germânica, um crescimento de 38%, respeito a 2015.

Como já é costume a última data do evento será destinada, na cidade de Holguín, à venda de ofertas turísticas para o mercado interno, especialmente focalizadas nos meses do verão.

Quanto aos circuitos, a diretora chama a atenção acerca da necessidade de assegurar com antecedência os alojamentos porque nem todos os lugares visitados têm uma ampla capacidade. Segundo seu olhar: «tentamos diversificar as ofertas dos circuitos e de fazê-los à medida, com rotas selecionadas pelos próprios clientes».

Ao definir Holguín, Orellana indica que se trata de um destino que combina muito bem os produtos de sol e praia, cultura e natureza e que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do turismo cubano.

Segundo a opinião de Julio César Naranjo, delegado do Mintur em Holguín, esta feira potencializará os negócios turísticos na província e expandirá sua comercialização, «sendo uma oportunidade que seria bom aproveitar para manter uma operação estável com a Europa».

Informa que, junto ao governo traba-lham «na Feira dos Fornecedores, que permitirá mostrar as potencialidades do território. Até o momento mais de 15 entidades confirmaram sua assistência, entre elas as empresas Cárnica Tradisa, Conservas y Vegetales Turquino, Productora y Distribuidora de Alimentos, Bebidas y Refrescos, Láctea e TecnoAzúcar».

Igualmente, estarão representados o Fundo de Bens Culturais, Artex e Egrem, junto a outros organismos dispostos a oportunidades de negócios.

Desde princípios de 2017, quando foi tornada pública a decisão de efetuar FITCuba nesse território, desenvolveram-se «todas as promoções necessárias para que Holguín seja conhecido como destino turístico, que possui sol e praia, atributos históricos e culturais, áreas virgens, vegetação única e diversidade de locais para o descanso, a aventura e a atividade náutica».

O diretivo expõe que se vem implementando um amplo programa de melhoramento e mudanças substanciais em hotéis e instalações afins dos municípios Banes, Rafael Freyre, Gibara e Holguín. A relação inclui 93 obras nos complexos Brisas-Guardalavaca e Atlántico-Guardalavaca; Don Lino, em Playa Blanca, e em instalações da rede Isla Azul, na capital provincial.

Previamente a FITCuba, o ministro do Turismo, Manuel Marrero, fará o lançamento oficial de Gibara como destino turístico, «um povoado encantador, onde há uma lenda que assegura que quem chegar ali sempre regressa; um local novo e agradável, com um artesanato e uma comida muito singulares».

Ao descrever as ações em andamento na cidade de Holguín, Orellana menciona o acabamento do Hostal Esmeralda, de cinco apartamentos e de uma Bodeguita del Medio, bem como a reparação da boate Nocturno. De igual forma, estão sendo transformados os emblemáticos hotéis Pernik, Mirador de Mayabe e El Bosque.

Quanto a Playa Blanca, Naranjo comenta que estão na fase de reabilitação 44 cômodos que pertencem ao parque de campismo, enquanto que em Don Lino umas 20 cabanas estão na fase de acabamento e outro bloco em meio do processo de empreendimentos.

«Paralelamente, trabalhamos em obras que pertencem a Transtur, Servisa e as lojas da rede Caracol, entidades de apoio ao turismo, decisivas na prestação de serviços aos clientes», conclui.

Naranjo tem certeza absoluta quanto ao papel eficiente que deve desempe-nhar o hotel Playa Pesquero, anfitrião principal da FITCuba 2017. «Seu pessoal, assevera, deu provas suficientes de profissionalismo, depois que Fidel o inaugurou, em 21 de janeiro de 2003. Por outro lado, Orellana refere-se à futura exploração de mais de 19.000 capacidades em Ramón de Antilla, um lugar cercado de praias virgens, no qual se estão fazendo todos os estudos para criar um polo não somente com capacidade de construir apartamentos, mas também com múltiplos serviços.

No hotel Saratoga, em processo de reabilitação total na parte central da cidade de Holguín, o funcionário deu a conhecer que o custo destes empreendimentos e obras no turismo ultrapassa a quantia de 46 mi-lhões de pesos, em 2017.

 

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