Lula defende justiça cubana e critica greve de fome

12/03/2010 12:00

Em meio a uma campanha midiática de difamação contra Cuba, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta terça (09), respeito às decisões do governo e da justiça da ilha. Ele condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento de pressão para que eles sejam soltos. Lula questionou como seria se todos os bandidos presos em São Paulo fizessem greve de fome para pedir liberdade.

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade", afirmou.

"Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de deter as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem ao Brasil", completou, em entrevista concedida à agência de notícias Associated Press.

As declarações foram feitas no dia em que um grupo de dissidentes do regime comunista afirmou ter enviado carta a Lula, pedindo que ele interceda pela libertação de 20 presos políticos. Entre os contra-revolucionários que teriam feito o apelo está o jornalista Guillermo Fariñas, há 13 dias em greve de fome. O Palácio do Planalto informou, contudo, que não recebeu a carta.

"Gostaria que não houvesse (a detenção de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", acrescentou Lula.

O presidente brasileiro também contestou o método usado por dissidentes cubanos para pressionar o governo. No fim do mês passado, o opositor Orlando Zapata morreu devido a complicações de saúde provocadas também por uma greve de fome enquanto Lula visitava Cuba para se encontrar com o presidente Raúl Castro e seu irmão, o ex-líder Fidel.

A morte do preso cubano tem sido manipulada pelos opositores ao regime de Cuba. Eles tentam responsabilizar o governo da ilha pelo ocorrido e associam a imagem do detento à dissidência, embora Orlando Zapata tenha sido preso, na verdade, por crimes comuns, sem conotação política.

Lula recordou que em seu tempo de líder sindical fez greves de fome em oposição à ditadura militar brasileira e qualificou a prática como uma "insanidade".

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