Internet: cubanos furam bloqueio imperialista

20/06/2012 16:27

A reportagem abaixo, divulgada no dia 15, vale pelos dados numéricos que traz, demonstrando o crescimento também da internet em Cuba. Interessante que o jornalista não se pergunte, depois de afirmar que a lentidão "também prejudica o governo", por que isso ocorre.


Teria que repartir boa parte dos problemas de acesso na Ilha, com os imperialistas ianques, que com seu bloqueio, impedem Cuba de usar os diversos cabos submarinos que passam perto de sua costa.

Por outro lado, este aumento no acesso já reflete os benefícios trazidos pelo cabo de fibra ótica que une Cuba a Venezuela.

Mas não é só o bloqueio "físico" -- falta de cabos de fibra óptica -- que ameaça a comunicação de Cuba com o mundo. Em matéria recente, o jornal Pravda apresentou algumas facetas do boicote midiático.

Segundo o jornal, a grande mídia filtra as informações reais sobre o país e divulga informações falsas.

Em seu livro "Cuba, apesar do bloqueio", atualizado em 2011, Mario Augusto Jakobskind, que morou um ano em Cuba, afirma que o bloqueio midiático é a "desinformação externa, que cria no mundo um senso comum que demoniza Cuba. A imprensa mundial não se cansa de dizer que lá é 'uma ditadura', chega ao absurdo de chamar de 'ditadura dos irmãos Castro'. Isso não reflete a realidade".

O site do Cubadebate, informou que o o microblog Twitter censura os TT (temas do momento) quando eles não são do interesse da empresa. Isso aconteceu com o "hashtag" #DerechosCuba, que foi bloqueado na Espanha. Contas da rede social também são fechadas arbitrariamente por motivos políticos em todo o mundo, ou seja, os direitos tão proclamados de liberdade de expressão são simplesmente negados todos os dias para manipular opiniões.

Embora seja intensamente propagandeado que presenciamos a "era da informação", a realidade é que poucos possuem acesso à rede, e ela é controlada por uma minoria interessada em lucrar com a propagandaonline e bloquear o que foge de seus interesses. A sociedade cubana, ao contrário desta tendência, utiliza seus escassos recursos cibernéticos, diminutos por conta do embargo econômico e comercial, para divulgar a verdade sobre sua história. Falsas informações são propagadas com o argumento de que o governo cubano teme liberar o acesso total à internet, quando se trata, na verdade, da falta de recursos tecnológicos no país, devido ao implacável bloqueio.

O "cybermercenarismo"

Outra faceta da propaganda falsa contra Cuba se manifesta por meio do "cybermercenarismo". O jornal The New York Times publicou, em junho de 2010, que os Estados Unidos lideram um grupo de países que utilizam a tecnologia da informação mediante utilização de plataformas portáteis, viagens, consultorias,hardwares e apoio à criação de páginas virtuais e sistemas de telefonia móveis, para beneficiar os "dissidentes" em suas mensagens contrarrevolucionárias. Sob o falso título de "independentes", esses mercenários divulgam informações que incitam à desobediência civil, fazem propaganda ilusória sobre o capitalismo e mentem sobre a revolução cubana.

A propaganda pró-capitalismo é o resultado menos perigoso destas ações, já que tais blogueiros não gozam de popularidade entre os cubanos. Tais "cybermercenários" podem trabalhar como espiões e até promover interferências em sistemas estatais e danos nos sistemas de serviços à população, além de acidentes graves.



 

Finalmente, abaixo, a notícia do Terra e a vitória dos cubanos contra o bloqueio imperialista no acesso à tecnologia da informação:


Cubanos com acesso à internet local aumentam 40%

O número de cubanos ligados à intranet controlada pelo Estado saltou mais de 40% em 2011, em comparação com o ano anterior, e o uso de telefone celular subiu 30%, informou o governo. A população de Cuba, no entanto, permanece excluída do acesso ilimitado à internet.

O governo cubano monopoliza as comunicações e controla a economia. Não há banda larga de Internet e os relativamente poucos usuários da Internet sofrem com longas esperas para abrir um email ou ver uma foto ou um vídeo, o que também prejudica o governo e as operações empresariais.

O Gabinete Nacional de Estatísticas informou que o número de "usuários de internet chegou a 2,6 milhões no ano passado, em comparação com 1,8 milhão em 2010", embora quase todos provavelmente entravam na intranet local em clubes de informática, escolas e escritórios do governo.

Cuba registra o uso de intranet como uso de internet, embora o acesso à rede mundial sem a permissão do governo seja proibido. O número de usuários de telefones celulares aumentou de 1 milhão em 2010 para 1,3 milhão em 2011, informou o governo. Os cubanos não têm acesso à internet em seus celulares. Cuba tem 11,2 milhões de habitantes.

O uso do celular cresce a passos largos desde 2008, quando o governo passou a permitir que os cubanos comprassem esses telefones. No primeiro ano, havia 330 mil usuários.

Os celulares estão disponíveis apenas em uma moeda local atrelada ao dólar e o envio até mesmo de uma mensagem no Twitter de um celular pode custar mais do que o salário médio diário de muitos cubanos.

Havia 783 mil computadores pessoais no país, ou 70 em cada mil moradores, embora cerca de 50% desses estivessem nas mãos do Estado, de acordo com o relatório disponível no site http://www.one.cu/ticencifras2011.htm

Durante um tour recente por Cuba feito por um repórter da Reuters nenhum usuário de Internet foi encontrado. Algumas pessoas, no entanto, disseram que às vezes acessam a rede usando senhas do mercado negro ou hotéis.

Fonte: Solidários, publicado originalmente no Terra, com informações do Pravda (Por Mariana Mendes, discente em Geografia UFSCar, Sorocaba)
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