Fidel critica agências e esclarece saída de veteranos

01/04/2009 22:57

 

Em novo artigo, o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, elogiou, hoje, os ex-vice-presidentes do Conselho de Ministros, Osmany Cienfuegos e Pedro Miret, e esclareceu que eles não foram ''destituídos'' pelo atual presidente Raúl Castro, como anunciaram agências internacionais de notícias. Segundo Fidel, os dois veteranos da revolução cubana - cujo afastamento do governo foi divulgado ontem - já haviam deixado suas funções há muito tempo, e a comunicação da saída de ambos, na Gazeta Oficial, foi apenas um trâmite legal.

No texto ''A mentira a serviço do Império'', divulgado pela imprensa oficial, o líder cubano critica as agências Reuters e EFE, que publicaram a notícia do afastamento, afirmando que elas são ''próximas à política imperialista dos Estados Unidos''.

Segundo Fidel, Miret deixou o governo por motivos de saúde, e Cienfuegos foi cessando suas atividades políticas há anos, bem antes de o próprio Fidel largar o comando da ilha. ''O companheiro Raúl Castro, presidente do Conselho de Estado, não tem responsabilidade alguma nisto. Nos dois casos se tratou apenas de um trâmite legal'', disse.

Citando outra matéria da EFE - que versa sobre um eventual trabalho conjunto da Espanha com os Estados Unidos, no relacionamento com países da América Latina -, Fidel afirma: ''Nada aprendeu a superpotência dos Estados Unidos e a minipotência espanhola da heróica resistência de Cuba ao largo de mais de meio século''.

Leia o texto na íntegra:

Reflexões do companheiro Fidel

 

A mentira a serviço do Império

A Reuters encabeçou, ontem, a lista das agências internacionais de notícias que apresentam Pedro Miret e Osmany Cienfuegos como figuras históricas destituídas por Raúl Castro.

A segue a EFE, que textualmente afirma: ''foram destituídos das vice-presidências do Conselho de Ministros no último dia dois de março''. O pretexto para essa intriga, amplamente divulgada no mundo, foi a publicação, na Gazeta Oficial, no dia 24 de março, do decreto sobre a reestruturação do Conselho de Ministros do Governo de Cuba, aprovado dia dois deste mês.

Pedro Miret é um magnífico companheiro, com grandes méritos históricos, que todos respeitamos, e por ele sinto grande afeto. Faz vários anos que, por razões de saúde, ele não pode ocupar cargo algum. A lenta instalação de sua enfermidade deu lugar à queda progressiva de sua atividade política. Não é justo apresentá-lo como um destituído, sem consideração alguma.

Osmany Cienfuegos, irmão de Camilo, realizou importantes tarefas, não só como vice-presidente, mas também como membro do partido ou cumprindo instruções minhas quando eu era Comandante em Chefe. Foi sempre, e é, revolucionário. Suas funções foram cessando progressivamente, desde muito antes de eu adoecer. Já não exercia o cargo de vice-presidente do Conselho de Ministros.

O companheiro Raúl Castro, presidente do Conselho de Estado, não tem responsabilidade alguma nisto. Tratava-se, em ambos os casos, de trâmites simplesmente legais.

Reuters e EFE são duas das agências ocidentais mais próximas à política imperialista dos Estados Unidos. A segunda, às vezes, se comporta de modo pior, ainda que seja muito menos importante que a primeira.

Fazendo uso de uma técnica habitual, EFE toma as palavras de Joaquín Roy, diretor do European Union Center, de Miami, para publicar, em outra notícia do dia 24 de março, o seguinte: ''A Espanha foi redescoberta como país-chave em certas regiões do mundo de interesse dos Estados Unidos, como a América Latina e, em particular, em dois países: Cuba e Venezuela''.

De imediato, EFE acrescenta: ''O estudioso considerou que o maior interesse dos Estados Unidos, mais que pressionar pela abertura, as mudanças, etc, é a estabilidade na ilha".

''Há vários anos, explicou, os estudos das agências de segurança estadunidenses não assinalam Cuba como uma ameaça militar, mas permanecem atentos ao desenvolvimento das mudanças, para evitar que os eventuais atritos internos possam desestabilizar a região''.

''Aos EUA não interessa que o resultado da abertura seja uma Guerra Civil em Cuba''.
A União Européia e a Espanha, segundo Roy, não têm problemas em trabalhar junto com os Estados Unidos porém, com 'cautela', para que não se dê a entender ou Cuba os acuse de seguirem a cartilha de Washington".

Mais claro que isso nem a água: as idéias do velho império espanhol de muletas, tratando de ajudar ao corrupto, cambaleante e genocida império ianque.

Nada aprendeream a superpotência dos Estados Unidos e a minipotência espanhola da heróica resistência de Cuba ao largo de mais de meio século.

Fidel Castro Ruz

25 de Março de 2009

Com Prensa Latina
 

Voltar

Pesquisar no site

© 2008 Todos os direitos reservados.