Dez anos após voltar a Cuba, Elián se diz feliz por viver na ilha

01/07/2010 18:02

Nesta quarta-feira (30/6), os cubanos comemoraram os dez anos da volta do menino Elián González ao país, depois de uma longa disputa diplomática entre o seu país e os Estados Unidos. Agora um adolescente, ele disse que ficou feliz por ter sido criado na ilha comunista. Elián ainda agradeceu aos povos de Cuba e dos EUA que acompanharam seu pai na luta para devolvê-lo ao seu país.

 

Elián, ao lado de Raúl Castro, nos 10 anos de sua volta a Cuba

 

"Esta é a terra a que pertenço e aqui eu me sinto bem", disse o rapaz aos jornalistas, ao participar da cerimônia religiosa que celebrou o décimo aniversário de sua volta à ilha. "Graças à ajuda de uma grande parte do povo norte-americano e do nosso povo, hoje estou com meu pai, e isso é tudo para mim", acrescentou.

Nas suas primeiras declarações públicas em vários anos, Elian, 16 anos, disse também que não guarda mágoas dos seus parentes de Miami, que o sequestraram alegando que lá ele teria uma vida melhor. Na época, o fato desencadeou uma batalha legal entre Cuba e Estados Unidos. "Embora eles não tenham nos apoiado em tudo, não tenho nenhuma amargura em relação a eles", disse Elián sobre os familiares radicados nos EUA.

O presidente do país, Raúl Castro, acompanhou a cerimônia ao lado de Elián, hoje estudante pré-universitário em uma escola militar, que compareceu vestindo calça jeans e camisa listrada de manga curta. O pai dele, Juan Miguel González, disse ter "mais certeza hoje do que naquele momento" sobre o acerto em trazer o menino de volta. "Vê-lo hoje se saindo bem, com boas notas na escola, mostra que o que fizemos não foi sem razão."

Ao contrário do filho, González-pai ainda tem ressentimentos em relação à família de Miami. "Aqui estamos unidos, com minha gente, que se comportou bem melhor que eles."

Elián era um menino de 5 anos quando foi encontrado boiando dentro de uma câmara pneumática, na costa da Flórida, em novembro de 1999. Sua mãe e outros cubanos que acompanhavam o menino haviam morrido no naufrágio de uma frágil embarcação na qual o grupo tentava viajar clandestinamente de Cuba para os EUA.

Elián foi resgatado por pescadores e levado à casa de uma prima, que morava em Miami. Mas o pai, Juan Miguel, que residia em Cuba, queria o filho de volta. Fidel Castro, então presidente cubano, apoiou a exigência do pai e, apesar de o governo dos Estados Unidos também considerar a volta da criança para seu país a melhor solução, a justiça da colônia cubana da Flórida não queria ceder. O regime comunista realizou uma campanha internacional para que Elián fosse devolvido a Cuba e criado pelo pai e pelos avós.

Após uma longa disputa judicial, os tribunais norte-americanos determinaram que o menino Elián González deveria voltar à ilha comandada então por Fidel.

Na madrugada de 22 de abril de 2000, agentes do FBI foram obrigados a resgatar o menino, já que a família da mãe se negava a devolvê-lo. Elián foi levado para uma base militar onde se encontrou com Juan Miguel e seguiu, finalmente, em junho de 2000, para Cuba, onde foi recebido com festa por milhares de pessoas e reencontrou o pai.

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