Cuba busca habeas corpus para antiterrorista preso nos EUA

15/05/2010 14:38

O governo de Havana solicitará, antes do dia 14 de junho, a um tribunal de Miami, um habeas corpus para Gerardo Hernández, um dos cinco cubanos presos em EUA há 12 anos, quando foram julgados por crimes de espionagem. O objetivo é que a justiça reconsidere a situação do prisioneiro.

Olga Salanueva, esposa de René González, outro dos prisioneiros, disse à Europa Press que o objetivo é assegurar que as autoridades norte-americanas reavaliem o caso de Hernández, que tem sido "vítima" de uma "injustiça", já que pesa sobre ele a mais dura e descabida pena do caso, o que tem sido constantemente denunciado pelo governo da Ilha, que exige a libertação dos cinco antiterroristas.

Gerardo Hernández Nordelo foi condenado em 2001 a duas prisões perpétuas, mais 15 anos de prisão, sob a acusação de conspiração para espionagem, documentação falsa, ser um agente de um governo estrangeiro sem estar registrado e conspiração para cometer assassinato. O habeas corpus está baseado "na injustiça que foi cometida com Gerardo e a necessidade de eliminar, ao menos, as prisões perpetuas", disse Salanueva.

Sem entrar em detalhes, Salanueva disse que nesse momento os advogados de defesa estão trabalhando sobre esse pedido que pode ser apresentado até 14 de junho no tribunal em Miami, que conduziu os julgamentos, que duraram sete meses, entre 2000 e 2001.

"A campanha e a luta que temos tido é para exigir a libertação dos cinco homens que não cometeram nenhum crime", disse ela, mas o caso de Hernández Nordelo - preso no estado da Califórnia - é a mais preocupante para a família e para o Governo de Cuba, pois ele está sujeito passar toda sua vida na prisão. "Para os demais, embora longa, a pena terá fim, mas a de Gerardo não tem", lamentou.

O grupo de "cinco antiterroristas" é formado também por Antonio Guerreio, Fernando González e Ramón Labañino, todos presos pelo FBI em 1998, quando residiam nos Estados Unidos, onde foram acusados de espionagem em favor do Governo de Fidel Castro.

A partir daquele momento, o regime cubano protagonizou uma intensa campanha para acabar com a prisão dos cinco homens, considerados "heróis" na ilha, mas Washington não aceitou, até o momento, nenhum destes pedidos, que tiveram um forte apelo em alguns governos e organizações internacionais.

Sem provas

"Os cinco" foram acusados de vários delitos, mas o que prevalece é a conspiração para espionagem, mas não foram condenados por espionagem diretamente porque não tinham provas e, portanto, "só puderam condená-los pela suposta intenção de fazer", disse Salanueva.

"Para acusarem de espionagem é necessário provar que a pessoa tomou informações que coloquem em perigo a segurança de um Estado, por isso se preocuparam em acusar por conspiração, pois de espionagem não teriam como provar, posto não tinham nenhuma documentação ou testemunho", disse ela.

O Governo dos irmãos Castro tem insistido em afirmar que o trabalho destes cinco homens tinha como alvo não preparar uma ação contra Washington, mas buscar informações para provar que as organizações em Miami, e no resto dos EUA, desenvolviam planos terroristas contra a Ilha. "O que eles faziam era acompanhar de perto as ações destes grupos, este é o grande crime dos Cinco", disse.

Algumas dessas provas (contra os grupos terroristas de Miami) foram entregues em Junho de 1998, recordou Salanueva, quando uma delegação dos EUA estava em Cuba. "Documentos com nomes, endereços, e os planos desses grupos" com o objetivo de solicitar aos norte-americanos colaborassem na detenção dessas "organizações”. Mas, a resposta foi a prisão desses Cinco antiterroristas, em 12 de Setembro, daquele ano.

Para Salanueva, esta ação causou embaraço para a Casa Branca, “que se incomodou pelo fato de Cuba saber de tantos detalhes" do que estavam planejando os dissidentes anti-castristas, em solo americano.

"Cuba tem o direito de se defender, não teve alternativa senão mandar estas pessoas para os Estados Unidos. Eles deixaram tudo em Cuba, e graças a essas tarefas nobres foram capazes de evitar muitas outras ações contra o nosso povo", disse Salanueva.

Com essas ações, Washington busca "dar exemplo para que nunca ocorra a ninguém de mexer com seus terroristas, mexer com seus mercenários. Que é bem alto o custo para uma pessoa que se atreva a advertir o risco que seu povo corre", disse ela.

Além disso, Salanueva disse que estes fatos confirmam a má vontade "dos Estados Unidos e seu atual presidente, Barack Obama", que "sabem muito bem que neste caso não houve justiça, que neste caso foi violada a Constituição norte-americana, que não foi provada nenhuma das acusações".

Desde 2000

Salanueva não vê René, condenado a 15 anos de prisão, desde agosto de 2000, quando foi detida pelas autoridades norte-americanas, que posteriormente a deportaram para Cuba. Desde então, Washington negou 13 vezes o visto para ela entrar nos EUA.

Suas duas filhas puderam vê-lo na prisão, localizada na cidade de Marianna, no estado da Flórida, em várias ocasiões, porque o governo dos EUA lhes permitiu, mas deixando claro que as menores só poderiam entrar no país sem a companhia da mãe.

O contato com seu marido se dá por telefone, quando René a telefona do cárcere, aproveitando os 300 minutos que lhe são concedidos para fazer chamadas. "Mas grande parte desse tempo ele tem que usar para falar com os advogados", lamentou Salanueva, que vai insistir, junto com Adriana Perez, esposa de Gerardo, na solicitação de visto para visitarem seus esposos.

Com Blog Solidários

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