Cuba rechaça imagem 'apocalíptica' sobre crise na ilha

27/05/2009 17:02

Cuba rechaça imagem 'apocalíptica' sobre crise na ilha

 

O jornal oficial de Cuba, o Granma, rebateu as informações e interpretações da imprensa estrangeira sobre as medidas que o governo da ilha vai aplicar, a partir de primeiro de junho, para economizar combustível. Segundo o texto, os correspondentes em Cuba pesaram a mão ao afirmarem que o retorno dos blecautes seria quase certo e divulgaram uma situação irreal sobre o país, que enfrenta, como todo o mundo, os efeitos da crise.

 

 

Em resposta intitulada "Nem fantasmas, nem apocalipse", o jornal faz referência a uma informação da agência britânica Reuters que desvirtua a realidade cubana e as declarações de funcionários do governo, e dá praticamente como fato consumado a volta dos apagões.

“O correspondente não entendeu a mensagem. A palavra apagão aparece nos textos (artigos publicados no Granma) para alertar sobre a necessidade de evitar o excesso de consumo. Só se não for assim, haverá apagões”, clarifica o jornal Granma.


O jornal menciona os impactos econômicos negativos no país, motivados pela crise global do capitalismo, e ressalta que a Reuters minimiza a riqueza do capital humano da sociedade da Ilha, que, por isso, sempre consegue superar situações difíceis.


O governo cubano convoca sua população a se empenhar no esforço de reduzir gastos, para não dispensar dezenas de milhares de trabalhadores, nem fechar escolas, ou hospitais, ou eliminar os principais benefícios da previdência social.


Encerrando o artigo, Granma afirma que não se trata de criticar o trabalho de colegas das agências internacionais, e, sim, lhes recomendar a necessária objetividade na difusão das noticias. "Os fantasmas e o apocalipse vão colapsar frente ao otimismo do nosso povo", diz.


Diante da crise mundial, o governo cubano reduziu de 6% para 2% a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da ilha para este ano. A informação foi dada pelo vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba e titular de Economia e Planejamento, Marino Murillo, durante uma reunião na qual também foram anunciadas "medidas excepcionais" para reduzir o consumo de eletricidade.


Segundo ele, o setor estatal, que consome mais da metade da eletricidade de Cuba, deverá reduzir o consumo em 12%, porque as despesas foram além do planejado e já custaram quase US$ 90 milhões.


Leia abaixo o texto publicado no Granma:


Nem fantasmas nem apocalipse


Por Alberto Nuñez Betancourt


Frequentemente a gente lê noticias de agências de notícias internacionais que não refletem com objetividade a realidade cubana. Tal é o caso de uma recente notícia da Reuters que, com prejuízo e má interpretação de artigos publicados no Granma e de declarações de funcionários do governo, quase afirmam, qual fantasma na cena, o retorno dos blecautes.


O correspondente não entendeu a mensagem. Cada vez que utilizamos o vocábulo "blecaute" nos textos referidos tem sido para alertar da necessidade de evitar o consumo elevado, pois, caso contrário, haverá blecautes.


Não se desconhece a difícil situação econômica que Cuba enfrenta, motivada pela crise global do capitalismo, a qual tem lógicos impactos no nosso país, com os agravantes de enfrentar também uma guerra econômica (mais que bloqueio) de cinco décadas, e a perda de US$ 10 bilhões como consequência da passagem de três furacões pelo território nacional.


O colega da agência britânica subestima o fato de que nossa sociedade tem no homem sua maior riqueza.


É por isso que, apelando uma e outra vez à participação de todos, Cuba sai vitoriosa de situações complexas.


Os profissionais da imprensa sabem, porque moram aqui, que, em Cuba, gestão de governo e gestão de povo vão de mãos dadas.


Pretende-se dar uma imagem apocalíptica de Cuba porque o governo convoca a sua população a assumir com responsabilidade a tarefa de enfrentar os efeitos negativos de uma crise econômica e financeira que está atingindo todo o planeta.


E fazemos diferente de outros países, contando com o povo para não desempregar dezenas de milhares trabalhadores, nem fechar escolas ou hospitais, nem eliminar os principais benefícios da previdência social.


Dessas questões vitais não terão matéria-prima para elaborar suas notícias.


O primeiro fruto que se constata desses artigos publicados por Granma é a resposta consciente de muitas administrações e dos trabalhadores da necessidade de duplicar os esforços para poupar, mediante a adoção de medidas práticas em favor do uso mais racional dos recursos.


Depois de um extraordinário esforço do Estado nos últimos anos, Cuba dispõe de suficiente capacidade de geração elétrica. As irregularidades que ocorrem respondem sobretudo a interrupções motivadas por necessários trabalhos nas redes para reabilitá-las e modernizá-las.

Mas a segurança do serviço de eletricidade que numa percentagem elevada desfrutamos (o 100% não é possível por motivos de manutenção e imponderáveis avarias) não significa consumo elevado e esbanjamento. Se, em qualquer tempo, é valido e inteligente poupar, no presente, de crise e instabilidade no preço dos combustíveis, esse lema se torna mais que imprescindível.

Daí o símile utilizado de que, em termos econômicos, não poupar equivale à morte. A frase expressada pelo ministro-presidente do Banco Central de Cuba, Francisco Soberón, no Congresso dos economistas cubanos, em novembro de 2005, não tem nenhum pessimismo. Ela, assim como o slogan político Pátria ou Morte!, terminará também com a irrenunciável decisão de Venceremos!

Venceremos porque o objetivo não é afetar os serviços básicos da população, mas, como tem insistido tanto o líder da Revolução, encontrar no ato de poupar a fonte mais próxima e segura de receitas; é aí onde temos as maiores potencialidades.


Outra menção das agências estrangeiras é que Cuba importa uns 92 mil barris diários de petróleo procedente da Venezuela em condições preferenciais de financiamento, como se fosse uma operação subvencionada, sem destacar que o montante faz parte de um convênio devidamente estabelecido e que é absolutamente compensado.


A aplicação próxima de um plano rigoroso para o controle diário da utilização de combustíveis e outros insumos pretende propiciar o uso otimizado de todos os recursos, incluído o humano; de responsabilizar as administrações com a eficiência; comprometê-las com um melhor trabalho na contabilidade, nos custos e nem outros parâmetros principais da economia e, o mais importante, produzir sem mentalidade esbanjadora.


Não pretendemos criticar o trabalho de colegas de agências internacionais, mas sim sugerir-lhes a necessária objetividade na difusão das notícias. Os fantasmas e o apocalipse vão colapsar frente ao otimismo do nosso povo, vencedor de inumeráveis batalhas. E, nesta, não vai ser diferente. Aqueles que pensem o contrário, vão ficar na vontade.

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