Cuba elogia decisão da OEA, mas não quer voltar ao órgão

08/06/2009 00:07

Por meio de uma nota à imprensa, o Governo de Cuba saudou, nesta quarta-feira (03), a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de revogar, sem condições, a resolução que expulsou o país do organismo. A ilha reconhece o simbolismo político da medida, mas reitera que não tem interesse em voltar a fazer parte da entidade.

 

 

"Em um dia histórico e de reivindicação para os povos de nossa América, a Assembléia Geral da OEA revogou hoje sem condições a resolução pela qual a Cuba foi expulsa da organização", informa a nota oficial, que reitera que Havana não quer retornar ao organismo continental.

O governo cubano assinala que a OEA possui uma história entreguista, ao mesmo tempo em que afirma que a decisão tomada nesta quarta pela 39ª Assembléia Geral da OEA foi impulsionada por governos progressistas da América Latina, principalmente os integrantes da Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba).

"Cuba não pediu nem quer voltar à OEA, cheia de uma história obscura e entreguista, mas reconhece o valor político, o simbolismo e a rebeldia que entranha esta decisão impulsionada pelos Governos populares da América Latina", acrescenta o comunicado.

Segundo o governo cubano, "apesar de pressões, condicionamentos e manobras dos Estados Unidos, a força formidável da América Latina que está nascendo possibilitou o gesto de reparação, a retificação histórica, a condenação implícita ao passado degradante".

O líder da revolução cubana, Fidel Castro, em artigo publicado no último dia 2, acusou a OEA de ser cúmplice de todos os crimes cometidos contra Cuba e ressaltou que a ilha "não é inimiga da paz, nem resiste à troca e à cooperação entre países de diferentes sistemas políticos, mas foi, é e será intransigente na defesa de seus princípios". Fidel referia-se às condições que os Estados Unidos pretendiam impor para a aprovação do documento que revogou a suspensão de Cuba.
O texto do governo cubano acrescenta que é "um dia histórico este 3 de junho, no qual felicitamos Raúl (Castro, atual presidente), em seu aniversário, por ser protagonista, junto a Fidel, destas duras e vitoriosas batalhas de nosso povo". Raúl completou 78 anos nesta quarta-feira.

Imprensa cubana


A decisão histórica da OEA recebeu, nesta quinta-feira, amplo destaque nos meios de comunicação cubanos."Fidel e o povo cubano foram absolvidos pela história", é o título da matéria na capa do diário Granma, citando palavras do presidente hondurenho, Manuel Zelaya.

O texto destaca ainda falas do chefe de Estado nicaragüense, Daniel Ortega e dos chanceleres de Honduras e Equador, Patricia Rodas e Fander Falconi. "Se pudemos ganhar esta batalha, lavar esta mancha, foi graças ao fato de Cuba não ter se rendido, não ter sucumbido às múltiplas agressões de todas as ordens", disse Ortega, em declaração reproduzida no Granma.
Na citação de Falconí, ele pontua que "emendamos a história e isso nos enche de satisfação a todos os latino-americanos".

Por sua vez, o jornal - também da imprensa oficial - Juventude Rebelde resume várias informações de meios de comunicação internacionais que falam sobre a decisão histórica e a repercussão em várias nações da América Latina.

Da mesma forma, veículos de rádio e televisão de Cuba ressaltaram o fato como uma decisão sábia e uma retificação histórica, consoante com o atual momento de integração que vive o continente.
A imprensa divulgou a resolução integral que reparou o erro de excluir Cuba da OEA. O texto aprovado na organização, ontem, compreende dois pontos fundamentais e reconhece o interesse de estabelecer relações amplas e revitalizadas de cooperação nas relações hemisféricas.


Confira abaixo a resolução completa:


A Assembléia Geral:


Reconhecendo o interesse partilhado na plena participação de todos os Estados-membros;
Guiada pelos propósitos e princípios estabelecidos da Organização dos Estados Americanos contidos na Carta da organização e em seus demais instrumentos fundamentais relacionados à segurança, à democracia, à autodeterminação, à não-intervenção, aos direitos humanos e ao desenvolvimento;
Considerando a abertura que caracterizou o diálogo dos chefes de Estado e de Governo na 5ª Cúpula das Américas, em Port of Spain, e que, com esse mesmo espírito, os Estados-membros desejam estabelecer um marco amplo e revitalizado de cooperação nas relações hemisféricas; e tendo presente que, em conformidade com o artigo 54 da Carta da Organização dos Estados Americanos, a Assembleia Geral é o órgão supremo da Organização


Resolve:

1. Que a resolução VI adotada em 31 de janeiro de 1962 na 8ª reunião de consulta de ministros das Relações Exteriores, mediante a qual se excluiu o Governo de Cuba de sua participação no Sistema Interamericano, fica sem efeito na Organização dos Estados Americanos.


2. Que a participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado por solicitação do Governo de Cuba e em conformidade com as práticas, os propósitos e princípios da OEA.


Com ABI e Prensa Latina

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