A chama ardente da Revolução Cubana

06/01/2011 12:54

Cuba põe à prova o talento político de seu povo, a confiança nas transformações econômicas necessárias e as virtudes de sua causa centenária para manter ardente e pura a chama de sua Revolução

Por Marta Denis Valle

O primeiro território livre da América, de crianças saudáveis e com escolas, aposta agora no estabelecimento de uma dinâmica política, econômica e social capaz de avançar a novas etapas e tornar, na prática, o socialismo irrevogável.


Cuba preservará suas conquistas sobre o acesso à assistência médica, a educação, a cultura, o esporte, a recreação, a seguridade social e a proteção, mediante a assistência social às pessoas que dela necessitem.


O socialismo é a única garantia para continuar sendo livres e independentes; primará a planificação e não o mercado.


Nas complexas condições do mundo de hoje, Cuba continua reafirmando sua opção socialista, expressada na carta constitucional, e em um ambiente de debates pelo consenso nacional, propõe-se a atualização de seu modelo econômico.


A consulta popular, carta de trunfo da Revolução Cubana em cada momento, retoma seu protagonismo.

Com a opinião de cada deputado na Assembléia Nacional (parlamento) e de milhões de cidadãos em reuniões nos municípios, os cubanos dão sua contribuição ao Projeto de Lineamentos que será analisado e adotado pelo 6º Congresso do Partido Comunista, em abril próximo.

Grandes desafios são assumidos na busca de soluções a curto prazo -de impacto na eficiência econômica- e outras a mais longo prazo, de desenvolvimento sustentável, bem pensadas e de forma gradual quando seja preciso, que modernizem o sistema e resgatem o papel fundamental do trabalho.


Com essas armas Cuba avança para 2011, ano 53 da Revolução, de intenso protagonismo de toda a sociedade, como ocorreu há 50 anos na proclamação do caráter socialista do processo e da derrota da agressão mercenária na Baía dos Porcos, liquidada em menos de 72 horas pela vitória de Praia Girón (17 a19 de abril de 1961).


Sob a pressão do fustigamento externo e as realidades do subdesenvolvimento interno, Cuba enfrentou s execução de mudanças radicais em sua economia e na sociedade, sem precedentes na América Latina e Caribe; conseguiu alcançar metas na saúde, educação e desenvolvimento científico nunca antes sonhados.


O país se encaminhava ao aperfeiçoamento de seu sistema, em finais dos anos 1980, antes de ser vítima da crise na década de 1990, precipitada pela perda de seus mercados, com o desaparecimento da União Soviética e o chamado campo socialista.


Parece um milagre, inexplicável para seus inimigos, o fato de salvar naquelas circunstâncias as suas conquistas essenciais.


Como descrever aqueles anos de luta cotidiana para sobreviver à aparente utopia de continuar sendo revolucionários, socialistas e cubanos; superar as agressões dos Estados Unidos com dignidade, não baixar a cabeça e marchar adiante até que chegasse outra vez a luz, sem concessões de princípios fundamentais.


Pela conquista dessa chama, mais de 20 mil cubanos morreram na luta pré-revolucionária nos anos 1950, e outros milhares para conservá-lo vivo e imperecível no meio século seguinte.

Sem contar os rios de muito sangue derramado antes e sacrifícios precedentes, pois se considera a existência de uma só revolução, de Carlos Manuel de Céspedes a Fidel Castro, quer dizer, desde as lutas independentistas, iniciadas em 1868, ao triunfo do Primeiro de Janeiro de 1959.


A última guerra de libertação foi coroada pelo transbordamento popular em uma greve nacional que paralisou um golpe contrarrevolucionário, patrocinado pelos Estados Unidos.

Isto representou o fim do domínio estadunidense, imposto em 1898, e o golpe de misericórdia a seu modelo neocolonial instaurado desde 1902, cujos dias já estavam contados ao colocar-se em marcha, em meses sucessivos, a reforma agrária as principais leis e medidas revolucionárias.


Como data a recordar, mencionamos o 3 de janeiro de 1961, quando os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com Havana e fez abertamente até agora o possível e o impossível por derrocar a Revolução Cubana.


A campanha de alfabetização, epopeia de adultos e jovens realizada também em 1961, marcou então uma mudança qualitativa, marcada, ademais, pela nacionalização do ensino e sua gratuidade.


A chama revolucionária sempre ardente levou mais de 300 mil voluntários cubanos a lutar pela independência de Angola e Namíbia, e contribuir para a derrota do regime racista na África do Sul.


Sua vocação de solidariedade se manifesta durante anos na ajuda médica de seus exércitos de batas brancas no Haiti, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, em distantes apartados rincões da América Central, África e Ásia; na presença de professores e outros cooperantes, assim como na formação de técnicos e profissionais da América Latina e todo o Terceiro Mundo.

(*) Historiadora, jornalista e colaboradora da Agência Prensa Latina.


Traduzido do espanhol pela Redação do Vermelho

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